O fotógrafo Jonas Chun

Jonas Chun. Fotos: Rogério Tomazela

fotos: Rogério Tomazela

Uma fotografia é uma imagem. Para alguns diz algo, para outros pouco diz e há quem entenda quase tudo com ela. As palavras podem tornar-se desnecessárias diante de uma boa imagem. E é dessas imagens que vive Kyung Suk Chun, 50 anos, conhecido simplesmente como Jonas Chun. Fotógrafo, aprendeu o ofício observando o pai durante toda a infância, que fundou e presidiu uma associação de fotógrafos em Seul, na Coréia. Já no Brasil, ele teve a sua primeira experiência com a câmera, aos 16 anos.

Após isso, Jonas passou a trabalhar no estúdio fotográfico do pai, em São Paulo. Ele ajudava a retocar retratos 3 x 4 e “foi evoluindo”, como costuma dizer. Logo passou para as reportagens sociais e hoje é proprietário de um laboratório fotográfico.

A Jovem Coréia

Capa do livro “A Jovem Coréia”, de Yoo Na Kim

Jonas não escolheria outra profissão. O homem que sabe que o dedo indicador é a sua ferramenta de trabalho cresceu rodeado de flashes e imagens. “Meu pai foi um dos primeiros caras a fazer fotos na Coréia, depois de ganhar uma câmera de um general japonês”, lembra. E na década de 70, quando a sua família aportou por aqui por causa do seu irmão mais velho, na época soldado e repórter, que se apaixonou pelo Brasil quando veio conhecer o país onde um primo morava, o seu pai não fugiu do ofício e montou o tal estúdio onde o jovem Jonas começou a trabalhar. “A minha melhor escola de fotografia foram as críticas do meu pai. Eu fotografava, mostrava pra ele e ele sempre apontava uma falha”, conta.

Só depois de muito tempo que ele compreendeu o modo de ensinamento do patriarca, afinal tudo o seu tempo. “Quando você está dentro de um ofício, não sabe se está gostando ou não. Você está lá dentro e não sabe. Eu só descobri mais tarde e pra falar a verdade, só agora eu acordei e estou gostando realmente do que eu faço”, revela.

Uma questão de luz. “Fotografia é ciência. Se você não tem fotografia, imagem, não tem civilização. Além de documentar, a fotografia aproxima, socializa, faz muita coisa”, inflama-se. Sobre a beleza das imagens capturadas, o fotógrafo é categórico: “Não existe algo feio ou bonito. Tudo depende de como você ilumina a cena. Essa forma de olhar é um tanto romântica, mas existem coisas feias com luz própria, que ao nosso olhar não tem nada de belo mas transmite ao fotógrafo algo a mais, é muito louco”, filosofa.

por Yoo Na Kim. Retirado do livro “A Jovem Coréia”.

Em 2007, Jonas participou do projeto “A Jovem Coréia”, da jornalista Yoo Na Kim. Ele foi o fotógrafo responsável pelas fotos do livro, retratando pessoas e paisagens no Brasil e na Coréia do Sul.